• Regina Menezes Loureiro

Você conhece o Beco do Lixo?

Pois é... é o beco da fome.

Um beco sem saída, onde o bicho homem, só come restos de comida.

Pois bem... Pelos becos da vida, eu andava tão só!...

Sempre a pé, não pegava nem praia, muito menos mulher, mano!

O silêncio era tão denso que até as batidas do meu coração, eu ouvia.

Só comia migalhas, não conhecia riquezas e de meus pais?... nada sabia.

Os amigos nem me olhavam e de mina e de cachorro, nem lambida!

O trem estava tão feio que nem osso sobrava para mim.

Havia uns outros filhotinhos de Estrelas, no lixo, comigo jogados.

Isto não é vida de criança, nem de cachorro! Não!? Sei que sempre houve espinhos nas rosas de qualquer jardim... Hoje tomei tento. Eu vou sair daqui...sinto que morde a boca da saudade.

Sou simples, sou comum que nem todo bebê sofrido. Rogo, me dê a sua atenção!

Nasci numa calçada e mamãe cuidou de mim.

Se de raça nobre não sou, tenho bom coração.

Gosto do jeito que sou.

Meus irmãos já partiram e eu, aqui conformado.

Mas também quero um lar, alguém para cuidar de mim. O leite da mamãe não tem mais para mim.

Subnutrido de beleza, sou cachorro-poema, vira-lata com muito orgulho, desperdiçado por aí. Tudo farejo a procura de algum osso enterrado.

Sonho com uma casinha para me abrigar do frio, uma coberta para me aquecer, uma vida de verdade.

Um dia tudo há de mudar. Uma alma bondosa vai me adotar. Vou ganhar papai e mamãe e terei um lar.

Veja se me adota, vai!? E eu serei um Barão!

  • Regina Menezes Loureiro

Mano!

Você não está entendendo!

Não é “xonite” que logo passa. Não!

Quero ficar de namoro! Estou podendo...

Muitas coisas quero fazer com você, bobão.

Dar um rolé: passear, sorrir, agora!...

Entendeu, irmão?

Eu estou chamando você, bora!

Vamos ouvir música, só pancadão?

- para me fazer sonhar – porquê

na escola ou na aula de geografia,

eu não tiro os olhos de você!

Fique antenado!

Chama que chama!

Quero encontrar a vida, tá tudo danado,

Quero beber no seu cálice, numa boa, amizade!

Vamos saudar a nossa juventude!

Ela passa! Salvemos o que ainda nos resta.

Oferecerei todo o meu legado!

Quero colher estrelas e mais,

entregar a você, uma bacana.

Não falte em meus ideais!

Enfim... viver tudo exatamente.

Descobrir que amor, simplesmente,

reside na cumplicidade, em dias risonhos

e, porque o ontem não foi suficiente,

para realizar todos os sonhos.

Tirar muitas fotos, sofrer muitas zoadas,

ter mil compartilhamentos.

Amar, amar , amar... cada vez mais

TMJ!?

Maria do Rosário Silva Santos é advogada, poeta e pintora é membro correspondente da Academia Feminina Espírito santense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. Como pintora tem recebido prêmios, troféus e diplomas.

Neste mais novo trabalho, Maria do Rosário, numa tentativa bem sucedida de aproximar o texto literário com o plástico, nos brinda com mais uma excelente obra de alto estimulo cultural.

Além do estímulo visual de pinturas sugestivas da autora/pintora, Maria do Rosário resgata histórias de grande evocação cultural e oportuniza a novas gerações o contato com histórias formadoras do imaginário popular.

Enquanto a pintura prioriza o espaço, a cor, a linha, a forma, a poesia privilegia a palavra.

A poesia sugere imagens criadas pela subjetividade das palavras e a pintura vai ao encontro das palavras sugeridas pela imagem.

Na obra da escritora capixaba o diálogo entre as artes visuais e a literatura vem acompanhado de limites rígidos entre as diferentes linguagens e em consequência aproxima as artes. A quebra de fronteiras entre o texto e a imagem visualizada da escrita incorpora elementos gráficos e imagens aos seus trabalhos.

O texto cruza os campos da imagem e da escrita e se apropria de suportes não convencionais. Apropria-se de elemento da poesia, do desenho e signos da escrita que entram como elemento da pintura e Incorporam significados, formas e temporalidades de suportes.

Sob a forma de poesia e contos apropria-se do folclore encontrando a melhor forma de expressão popular e lúdica sem se descuidar da correção da língua que se apresenta de forma impecável e clara.

Através de literatura poética discorre sobre filosofia de vida de um povo, promove elevação de alma e fala de verdades possíveis e desejos incontroláveis. Vai além de um fenômeno estético, de uma manifestação cultural. Recupera imagens reais, constrói novas formas e representações. Preocupa-se com a beleza e o efeito emocional que as palavras despertam no leitor.

Enfim, este é um livro feito para quem gosta de ler, de criar, de falar, de rir, de criticar, de participar, de argumentar, de debater, de escrever.

É um livro para todas as idades. Para todos que desejam interagir com as pessoas e com o mundo.

Por fim, é um prazer estar perto, aprender e conhecer novas experiências com Maria do Rosário, intelectual preocupada com a verdade e as sutilezas da vida.


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