EXALTAÇÃO

Foi assim que tudo começou...

Um jardim com luzes e flores,

leves borboletas coloridas,

pétalas de muitas cores e,

pássaros celebrando a vida.

E assim começa a mais bela história de amor, assim começam as Histórias das Mil e Uma Noites.

Era uma vez...

Por sobre todas as cabeças, o azul do céu bordado pelo clarão alaranjado do sol. Mil borboletas pintavam de anil todo o azul do firmamento. Sob os pés dos mortais a terra. A Mãe Terra que abriga corações e consciências, estava enfeitada entre pássaros, flores e borboletas.

Aquele era um jardim muito lindo, bem cuidado por todos os habitantes que agora se agitavam em preparativos. Todos se enfeitavam.

As rosas acariciavam sua pétalas e deixavam no ar o mais divinal perfume para encantar aquela tarde. Era um momento especial.

Por entre lábios de pétalas coloridas a vida escorria em suaves gangorras de perfumes inebriantes e sonoros cantares.

A mais bela rosa do jardim ajeitava suas delicadas pétalas vermelhas. Orgulhosa diante de tanta beleza ela soltava suspiros de satisfação. Encantava-se com a sua imagem refletida nas águas cristalinas do regato que corria bem aos seus pés.

Rouxinóis enamorados tocavam a lira do tempo e não tocavam de ouvido como um tal gênio mau que passava inspirando lamúrias e lançando fiapos pelas ventas.

Os translúcidos cristais pedregulhos que enfeitavam o fundo do regato brilhavam sob a luz do sol enquanto peixinhos bailavam ao sabor da correnteza.

Eram peixinhos de todas as cores que se organizavam em vários bandos. Bailavam entre as folhas das plantas, brincavam de esconde-esconde entre as pedras fazendo borbulhas que subiam até a superfície como pequenas lágrimas de felicidade.

Como soldadinhos de chumbo empertigados, milhares de lírios brancos ocupavam os dois lados da calçada do jardim. Pétalas de todas as cores eram espalhadas sobre a calçada formando o grande tapete de Corpus Cristi.

Uma importante assembleia seria realizada neste Jardim de Amores Encantado.

O local escolhido foi uma clareira localizada bem ao centro deste Jardim.

De repente ouve-se a música do sino celestial e um vento suave anunciou a chegada do Criador de toda beleza. Era a brisa anunciando a chegada do Todo Poderoso, e

soprava o coração dos viventes,

purificava a terra dos mortais,

revigorava a água das nascentes

inspirava a cantoria dos pardais.

Pássaros mil se agitavam no céu.

Céus e Terra se curvaram para receber Aquele que era o Senhor de todas as coisas e chegara protegido nuvens de anjos borboletas.

O Todo Poderoso, aquele que reluz a espada da justiça, sentou-se ao centro da clareira e deu inicio à solenidade, pondo em discussão o principal e único assunto da pauta: a tristeza de Adão.

Toda a Criação foi abençoada e cada bicho procurou seu lugar na clareira e logo todos foram autorizados a falar, cada um por vez:

- Adão não quer mais brincar, disse o macaco, pulando de galho em galho.

- Ontem ele nem quis se alimentar, falou a girafa espichando o pescoço.

- Nem brinca mais, murmurou um burrinho todo envergonhado.

- Adão está triste! Não quer mais nossa companhia! falou a sábia coruja.

Então o Todo Poderoso, usando da palavra, decretou:

Adão, está triste porque não têm uma companheira!

- e o Senhor desenhou a mulher -

Ela terá o sorriso pleno do Ser Criador.

Companheira de beleza suprema, seu coração

é manifestação de poder do mais puro amor.

Seu olhar transparente e sua inteligência são

- insondáveis mistério do Universo -

refletem a paixão que envolve a existência

e a beleza de toda a Minha Criação.

Homem! Ame com alegria a sua mulher.

Ela carregará em seu seio, a vida e a posteridade.

Da humanidade será a sublime essência.

Protegerá em seus braços os filhos do povo meu.

Em seus abraços oferece consolos e carícias.

Aromas suaves exalou das mãos do Criador

- e assim o Senhor criou a mulher do riso de felicidade.