NADA SEI!

Qual a minha idade, se nem sei mais em qual mundo quero ficar?

Hoje nem sei mais qual meu papel. Sou filha, irmã, esposa, mãe... mãe, filha... um dia serei filha novamente?

Quem sou eu?

Este mundo parece uma orquestra. Lá fora pássaros cantam nas árvores, o vento sussurra entre montanhas e os rios caminham para o mar...

Hoje acordei cedo... e, da minha varanda ainda vejo o Convento de Nossa Senhora da Penha. Orei.

A chuva fina ainda cai e molha árvores, ruas, telhados, tudo! Os pássaros chegam um, dois, cinco, muitos. Eles querem beber água doce em copos especiais que deixo sempre bem limpinhos para eles.

Eis a natureza com seus segredos!

Como poeta busco exaltar belezas...

Às vezes sonho ser poeta, outras, sonho que sou criança. Se brinco, choro, rio, sinto o peso de um olhar.

Com as palavras faço trovas e a idade que eu conto desaparece do meu rosto. Só vejo a claridade do céu, a luz do luar, o vento sussurrante, o mar com suas riquezas.

Dizem até que sou mais nova!

Mas não tenho mais os olhos da menina e longe vai, o tempo da juventude.

Se não foi perfeita minha existência, descobri que amo a vida, apesar dos contratempos.

Quando a velhice chegar quero brincar que nem criança, dividir bagagens, olhar os problemas com menos emoção, ter um pé no passado, e isto sim, com uma visão de um futuro esperançoso com menos sofrimento. Serei filha novamente.

E minha alma, qual idade terá? Terá ela vindo de outros tempos?

Hoje sinto-me tão estranha!

Pode ter sentido este sonho mal contado?

Sinto que amar é esquecer e me pergunto se o desamor é a espera de um outro amor.

Quero mudar algo em mim, mas do que gosto não quero perder.

Como páginas passageiras, vislumbro a minha passagem pelo mundo e me pergunto se a vida é longa ou se curto é o meu viver.

Se seu braço me acolhe e uma palavra me consola, o tempo é pouco ou passa ligeiro.

Se para frente olho, nada vejo do meu futuro. Nem imagino o que dele devo esperar.

Se o que passou foi muito, só no segredo ficou.

Entendi!

Chega uma hora que o tempo é de vidro. Ele se parte e vamos embora.

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