ESCREVO

O poeta ao poetar transpira emoção. É ser refulgente. Embeleza o mundo, reconstrói o

real trabalhando o imaginário. Busca no outro o amor sublime da vida, a rosa

oculta no jardim, a melodiosa tarde empassarada...

Admira o belo! Simplesmente, o belo sem julgamentos,

nem sei se por intuição ou se por conceitos racionais, mas admira.

Vai além... muito além...

Além da Terra, além do céu, fora do sistema Solar.

Poeta é um ser iluminado capaz de ouvir o farfalhar de folhas orvalhadas,

o marulhar de águas encantadas... O ruído de Sol ao nascer, um coração solitário a bater.

Poeta é um prosador iluminado? Ou iluminado é o prosador que se ilumina no poeta?

A todos digo sinceramente, não se espantem, é segredo meu, mas vou contar:

_ Possuo um cofrinho que guardo como tesouro,

trancado com sete chaves,

bem lacrado com fios de ouro.

Nele prendo meus ais,(onde estão os deuses meus?).

As dores do meu viver (qual será o meu caminhar?).

As alegrias liberto sempre

(para encantar o mundo desencantado),

só prendo a negritude.dos dissabores.

Às vezes, de tão cheio, meu cofrinho quase se rompe.

Com cuidado, eu o abro, de..va..ga...ri...nho...

Liberto um a um os demônios,

brinco com eles,

domino-os

e me deixo conduzir.

Liberto o imaginário...

Escrevo..

Escrever faz parte, é incontrolável,

direito irreprimível, irrenunciável, intransferível.

Os textos brotam,

tomam o caminho da respiração.

É a necessidade de me expressar,

combater conflitos e dramas humanos,

pela palavra, recrio a vida

para não me deixar explodir...

Depois?

Depois retorno, leve, livre, solta encontro horizontes,

revivo o Sagrado.