UMA PESCARIA

Seu Clemente morava na beira de um rio. Apreciador de pescarias, saía quase diariamente, bem equipado para pescar. O rio piscoso permitia-lhe suplementação para o almoço do dia seguinte. Naquela tarde, Clemente saiu um pouco apreensivo porque o tempo estava nublado. Clemente seguiu tranquilo o seu caminho para o rio. Felizmente não choveu e o vento tomou outra direção. Escolheu o local preferido, colocou seus pertences no chão, armou o anzol e acendeu um foguinho para espantar as muriçocas. E esperou... No primeiro arranco do anzol, um bonito robalo foi fisgado. Outros peixes vieram a seguir. Satisfeito encerrou a pescaria. Reuniu seus pertences e quando foi pegar os peixes, notou que os peixes, haviam sumido do samburá. Será o Saci? Sempre ouvia histórias sobre as travessuras desse moleque de uma perna só, levado da breca... Rápido, deixou o local.

Chegou em casa ainda meio encabulado. Seus filhos sempre o esperavam com uma colheita farta, perceberam que algo estranho havia acontecido. Perguntaram quase ao mesmo tempo: - Onde estão os peixes? O pai contou-lhes o ocorrido, embora sem muita certeza, atribuiu ser arte do Saci. Para satisfazer a curiosidade dos filhos, contou-lhes alguns mal feitos atribuídos a este negrinho perneta, carapuça vermelha na cabeça e cachimbo fumegante, que atormenta a vida de muita gente com suas travessuras. Naquela noite foram dormir tarde. No dia seguinte, acordaram com o sol já alto. Era domingo. Clemente foi surpreendido com a visita de um amigo que viera convidá-lo para almoçar em sua casa. Já havia convidado outros amigos, acrescentou ele, e certamente a reunião seria bem agradável. Todos foram e se bem comeram, também bem beberam. Deliciosa sobremesa foi servida. Até então tudo cordial quando Clemente ouviu a notícia que a deliciosa moqueca era produto de sua pescaria. O amigo contou a todos que havia seguido Clemente e tirou-lhe os peixes para lhe pregar uma peça. Clemente não gostou da brincadeira e quase agrediu o fanfarrão e para desconforto de todos, vomitou todo o alimento ingerido no almoço e junto lá se foi uma antiga amizade.

Quem não respeita um amigo, não merece sua amizade.