VIDA DE CACHORRO

Você conhece o Beco do Lixo?

Pois é... é o beco da fome.

Um beco sem saída, onde o bicho homem, só come restos de comida.

Pois bem... Pelos becos da vida, eu andava tão só!...

Sempre a pé, não pegava nem praia, muito menos mulher, mano!

O silêncio era tão denso que até as batidas do meu coração, eu ouvia.

Só comia migalhas, não conhecia riquezas e de meus pais?... nada sabia.

Os amigos nem me olhavam e de mina e de cachorro, nem lambida!

O trem estava tão feio que nem osso sobrava para mim.

Havia uns outros filhotinhos de Estrelas, no lixo, comigo jogados.

Isto não é vida de criança, nem de cachorro! Não!? Sei que sempre houve espinhos nas rosas de qualquer jardim... Hoje tomei tento. Eu vou sair daqui...sinto que morde a boca da saudade.

Sou simples, sou comum que nem todo bebê sofrido. Rogo, me dê a sua atenção!

Nasci numa calçada e mamãe cuidou de mim.

Se de raça nobre não sou, tenho bom coração.

Gosto do jeito que sou.

Meus irmãos já partiram e eu, aqui conformado.

Mas também quero um lar, alguém para cuidar de mim. O leite da mamãe não tem mais para mim.

Subnutrido de beleza, sou cachorro-poema, vira-lata com muito orgulho, desperdiçado por aí. Tudo farejo a procura de algum osso enterrado.

Sonho com uma casinha para me abrigar do frio, uma coberta para me aquecer, uma vida de verdade.

Um dia tudo há de mudar. Uma alma bondosa vai me adotar. Vou ganhar papai e mamãe e terei um lar.

Veja se me adota, vai!? E eu serei um Barão!