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16 de out. de 2020

Seu Clemente morava na beira de um rio. Apreciador de pescarias, saía quase diariamente, bem equipado para pescar. O rio piscoso permitia-lhe suplementação para o almoço do dia seguinte. Naquela tarde, Clemente saiu um pouco apreensivo porque o tempo estava nublado. Clemente seguiu tranquilo o seu caminho para o rio. Felizmente não choveu e o vento tomou outra direção. Escolheu o local preferido, colocou seus pertences no chão, armou o anzol e acendeu um foguinho para espantar as muriçocas. E esperou... No primeiro arranco do anzol, um bonito robalo foi fisgado. Outros peixes vieram a seguir. Satisfeito encerrou a pescaria. Reuniu seus pertences e quando foi pegar os peixes, notou que os peixes, haviam sumido do samburá. Será o Saci? Sempre ouvia histórias sobre as travessuras desse moleque de uma perna só, levado da breca... Rápido, deixou o local.

Chegou em casa ainda meio encabulado. Seus filhos sempre o esperavam com uma colheita farta, perceberam que algo estranho havia acontecido. Perguntaram quase ao mesmo tempo: - Onde estão os peixes? O pai contou-lhes o ocorrido, embora sem muita certeza, atribuiu ser arte do Saci. Para satisfazer a curiosidade dos filhos, contou-lhes alguns mal feitos atribuídos a este negrinho perneta, carapuça vermelha na cabeça e cachimbo fumegante, que atormenta a vida de muita gente com suas travessuras. Naquela noite foram dormir tarde. No dia seguinte, acordaram com o sol já alto. Era domingo. Clemente foi surpreendido com a visita de um amigo que viera convidá-lo para almoçar em sua casa. Já havia convidado outros amigos, acrescentou ele, e certamente a reunião seria bem agradável. Todos foram e se bem comeram, também bem beberam. Deliciosa sobremesa foi servida. Até então tudo cordial quando Clemente ouviu a notícia que a deliciosa moqueca era produto de sua pescaria. O amigo contou a todos que havia seguido Clemente e tirou-lhe os peixes para lhe pregar uma peça. Clemente não gostou da brincadeira e quase agrediu o fanfarrão e para desconforto de todos, vomitou todo o alimento ingerido no almoço e junto lá se foi uma antiga amizade.

Quem não respeita um amigo, não merece sua amizade.

16 de out. de 2020

Casas grandes, gaiolas douradas,

Negros serviçais,

Ao gosto dos senhores,

Discriminação racial.

Perda de valores,

Jogo de interesses pessoais,

Injustiça social,

Nas senzalas podres e frias.

Alimentados

pelo jogo da revolta,

Grande parte vivia.

Buscavam a qualquer preço

A liberdade sonhada.

Fugas fracassadas

Sofrimento e dores.

Aos grilhões de ferro tornaram.

Um dia lhes deram a liberdade

Com garras de escravidão.

Em nada valeram o treze de maio,

Festa efêmera do centenário!

Terras e sonhos lhes foram negados.

16 de out. de 2020

O balão ia subindo,

No azul da imensidão.

A fogueira acesa,

Frutos assados,

E um busca-pé despachado.

Os acordes de um violão,

A brincadeira do chapéu,

A deliciosa jenipapina.

Em todos a alegria lidera.

Festa com sentido pagão,

Lúdica e sensual.

Muita dança e paquera,

Estrelinha douradas

Do fogo se desprendiam,

Como portadoras efêmeras

Dos bens que eu queria.

Restaram cinzas quentes!

Não sei se me aqueceram

Neste final da noite fria.

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