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O universo da escritura é um universo literário e não um universo existencial e, sendo assim, não há dicotomia entre mulher escritora e homem escritor entre o estilo e a mensagem. Quantas obras foram escritas por mulheres e foram lidas como se fossem de homens?

A obra de arte é imitação não da natureza, mas imitação de outros textos. E é Valcema Rodrigues da Costa quem se expressa no poema A POESIA E O POEMA o que é universal e particular num poema: “A poesia é sentimento./O poema testamento./ Desabado de alma./ A poesia é minha./

O poema é de todos.”

Toda arte, proclama Northrop Freye, em Anatomia da Crítica, quando descreve sobre a fase mítica nesse manual da crítica arquetípica, é objeto de convenção. A presença feminina foi vista como menos importante no espaço cultural e da literatura. Musa, mãe, esposa, sem contacto com o ambiente esterno à casa (ao lar) fica impossibilitada de ser reconhecida como detentora de pensamentos que condizem com as propostas socioculturais da sociedade ocidental. Maria Beatriz Nader escreve sobre as mulheres brasileiras e o tratamento injusto que receberam desde o “descobrimento do Brasil” e Nader denuncia a continuidade da situação, pois ”[...] continuam sendo exploradas e tendo seus direitos violentamente usurpados [...]”, Mas Felicidade Albertino Méia convoca todas as mulheres a escrever a expandir suas idéias, no poema VOAR É PRECISO “É preciso voar, voar, voar.../ O símbolo das asas será a pena na mão/ Claro, evidente que iremos alcançar,/ o objetivo é a determinação”.



Por que escrevem as mulheres? Quando escreve, não diferente do outro sexo, a mulher traduz suas fantasias, quimeras, realidade, ilusão, e frustrações, como expressa Denise Moraes no poema ENTRELINHAS,: “Quanto eu tenho para te dizer./ Mas, não há forças./ Não imponho o meu querer./ Olhares que dispersam.”

Difere a escritura feminina da masculina? - Ouvi perguntarem recentemente em um encontro literário. Não sei. Mas lembro que as línguas, em geral, têm flexões de masculino e feminino, mas não separação de uso linguístico para este ou aquele gênero.

Pode existir uma preferência temática, uma subjetividade na escolha desta ou daquela imagem, deste ou daquele gênero e as relações culturais, mas a escolha independe do sexo. A defesa de uma linguagem feminina é uma postura política; e às mulheres não lhe cabe desenvolver sistemas linguísticos diferentes. Naturalmente há diferenças de estilos, de estratégias e contextos de desempenho linguístico. A diferença da escritura feminina pode ser explicada, talvez, pela psique da mulher no tocante ao processo criativo; a educação ineficiente reservada ao público feminino durante séculos contribuiu para a dificuldade na produção literária.

A obra QUEM É VOCÊ MULHER, antologia que a Academia Feminina Espírito-santense de Letras (AFESL) lançou em 2014, publicação inserida no Edital da Lei Rubem Braga da Secretaria de Cultura da PMV, com o apoio da ArcelorMittal, é um exemplo dessa diversidade de escolha da mulher para falar da Mulher. A escolha do gênero literário para se manifestar foi variável, pois depende de uma escolha pessoal e estão todos os textos subordinados ao tema MULHER. E como afirma Frye, na introdução da obra já citada: “[...] em literatura as questões de fato ou verdade subordinam-se ao objetivo literário precípuo de produzir uma estrutura de palavras em razão dela própria, e os valores de signo dos símbolos subordinam-se à sua importância como estrutura verbal autônoma, a consciência humana a compreender qualquer outra coisa. A literatura é uma forma particular da linguagem, tal como a linguagem o é da comunicação.” E todas as autoras dos textos tiveram um desafio e o enfrentaram: falar sobre a mulher e sobre ela mesma. Sonho de liberação dessa castração secular que condenou a mulher a um silêncio cujos ecos se fazem ouvir na ausência na ausência da voz feminina nas compilações canônicas.Não como masculino versus feminino, não como biologicamente constituída, mas como multiplicidade que é o texto literário mesmo. E quão bem falam as mulheres delas!! Ailse Therezinha Cypreste Romanelli, a primeira da lista, atravessa a História para da mulher falar, da mulher, de sua vida submissa “[...] refém das convenções, como um ser humano de segunda categoria”, a mulher lutou silenciosamente, mas “resistiu bravamente à opressão, ao preconceito, à hipocrisia, às decepções, às traições”. A última da lista das trinta autoras de textos dessa antologia, Wanda Maria Alchimin, alteia, em homenagem póstuma, outra mulher e acadêmica, Lúcia Castellani Nunes, porque a mulher sabe enaltecer a outridade.

Essa é uma obra, escrita por mulheres, para ser lida por todas as mulheres e por todos os homens para melhor entendê-las, se possível, sem os preconceitos do leitor masculino.


Antologia: Quem é você mulher? Organizadoras: Ester Abreu Vieira de Oliveira, Silvana Soares Sampaio. Vitória: GM: Academia Feminina Espírito-santense de Letras, 2014, 144p

Venda Livraria Logos, preço R$ 20,00.

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Rogério Salgado

“Quando eu era pequenininho, em todos os Natais eu era feliz, porque em todos os Natais, Papai Noel deixava aos pés da minha cama, o presente que eu lhe pedia. Assim que fui crescendo, comecei a observar que as criancinhas que eram mais pobres do que eu, recebiam presentinhos bem fajutos e aquelas criancinhas que eram bem, mas bem mais pobres mesmo, passavam o Natal tristinhas porque não recebiam nenhum presente. Foi assim que descobri que Papai Noel era um velho muito filho da p... e além de tudo, era sacana e preconceituoso socialmente.

Cresci e pude observar que a maioria das pessoas se envolvem no espírito do Natal e fazem campanha para ajudar os que precisam todo mês de dezembro, mas durante o resto do ano pensam apenas em si mesmo. E observei que muitas pessoas que se julgam cristãs estão equivocadas em relação ao amor e a caridade e a tudo aquilo que o maior poeta que já habitou este mundo, o mesmo que nos ensinou a “amar ao próximo como a nós mesmos” havia nos ensinado.

Daí decidi não pensar muito em Natal, mas sim em ser uma pessoa mais humana durante os 365 dias do ano. Se vou conseguir, não sei, mas pelo menos posso tentar.”

18 de dez. de 2014

Regina Menezes Loureiro

Penso muito em você, nesta data,

em nossa amizade tão querida!

Agradeço, em preces sinceras.

Sorrio por entre lágrimas de felicidade

ao relembrar nossa amizade.

Cultivo pepitas de amor durante meus sonhos

para lhe oferecer como delicado presente.

São lembranças que envolvo em teias de cristal

para alegrar toda família, neste Natal.

Porque é Natal, vivo intensamente

e procuro novos valores

para festejar este Grande Dia.

Lembro a amizade que se benfazeja.

Mesmo que o Natal chegue, passe, voltará ...

faço agora uma prece pela paz,

por todos que amam, e sabem perdoar...

Aos amigos envio votos de muita saúde

embalados numa prece de esperança.

Enquanto tantos sofrem

lembro de todas as guerras e,

faço orações

de esperança,

de amor

de fraternidade.

Preciso acreditar:

num mundo de fé,

de caridade.

Que este Natal seja um novo início,

o início de um ano cheio de

paz, amor e prosperidade.

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