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3 de jun. de 2015

Lá fora, naquele chão

Pisado, sofrido

Sem vegetação

Sem pássaros, sem gorjeios

Tal um coração doído

De angústias e receios.

Cresceu uma rosa

Linda, dourada

Como se fosse uma semente

De ouro ali plantada

Ao sol ergue-se formosa

De crepúsculo se veste

De estrelas se cobre

Baila as vibrações do vento

Que adormece

A faz despertar

Com beijos e carícias

No delírio de amar

Vento estouvado

Deixou a rosa caída

Desfalecida

Nunca mais a procurou

Cavaleiro andante

Das mil e muitas noites

Busca em terras distantes

Outras flores para amar.

Por certo as encontrou.

Por que não veio nascer

Junto a mim

Rosa dourada?!

Temos algo em comum

Um resto de vida

E mais nada.

3 de jun. de 2015

Pra você o dia começa

Não diferente do anterior

Bem cedo se levanta

Possui alma branca

De ouro o coração.

Peito nobre fluente

O filho amamenta

Curvada sobre o lenho

Como devota em oração

Atiça o fogo.

Sobre a mesa oferecidos

Biscoitos de polvilho

Creme de maisena

Coroado de canela.

Rabanada de pão dormido

O gostoso café com leite

Tudo feito por ela

A criançada se fartando.

O feijão já está cozido

A polenta pipocando.

Em breve a turma gulosa

Vem se aproximando.

Previdente já realizou

O cardápio para o jantar

É sóbria nas palavras

Não conta velhas histórias

Não se prende em tradições.

Ás vezes na sua intimidade

Se arrasta em suspiros

Sem lamentações.

Esconde saudades ao remexer

Uma caixinha antiga

Que desafia o tempo

Talvez um ninho de dor

E recordações

Renuncia perdão

O dia termina

Igual ao anterior

Para você

Maria da Conceição.

3 de jun. de 2015

Preciso viajar.

Louca aventura,

Conhecer o mundo encantado

Onde existe esplendor

Dos pássaros multicores.

Chão orvalhado

Coberto de flores.

Floresta espessa, escura

Paz que acalenta

Também amedronta.

Conhecer os irmãos selvagens

Livres, fortes, valentes.

Seu canto, seu ritmo marcante

Seu grito de guerra

Mexem com os nervos da gente.

Banhar o corpo nu

(Virgem das matas)

Nas águas da cachoeira

Como um pássaro esvoaçante

Em busca da companheira.

Andar por muitos atalhos

Caminhos desconhecidos

Grutas, vales e serras.

Descansar sobre um tapete

De folhagem ressequida

Embalada pelo sussurrar das aves

Adormecer envolvida

No mistério inexplicável

Desta minha fantasia.

Discernimento

Dentro de nós, certamente

Uma voz secreta

Se faz presente

Nos conduzindo ao bem

Às vezes à maledicência

Aprovando.

Reprovando nossas ações,

Sem palavras, sem ecos.

Nos corrigindo sem agressões.

É a voz da consciência.

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