Ser mãe

Se você adota e dá carinho Uma criança abandonada Sem preconceito de cor Acolhe com afinidade A conduz no bom caminho Merece com especial louvor A glória da maternidade.

Menina mulher

A criança de ontem Com cheiro de verde Com cheiro de chão Deixou de ser menina Se fez mulher. Com perfume de rosa Segredos no olhar. Um coração enorme Cheio de amor Para dar.

Fé cristã

A razão cuidadosamente Cultivada pela fé cristã Aliada à força da juventude Tornará certamente O mundo de amanhã Mais digno mais presente.

Feliz encontro

Junto ao portão te encontrei. Uma presença naquela manhã Entre a luz disfarçada De um raio de sol E tufos de flores. Tempo de flamboyant. Uma brisa leve envolvia seu corpo Num bailado sensual. Nos seus olhos um esbanjar De verdes esmeraldas. Sob teus pés versos Sem histórias, sem verdades. Lembranças que se perderam Sepultadas No túmulo da saudade. Teus braços aceitam os meus Que te apertam junto ao peito. Desfrutas cada momento Absorvida na ilusão De viver a sonhar Sonhando perfeito A sede dos meus beijos Carícias e o desejo ardente De te amar.

Função genética

Sobre uma mesa preparada Com linho branco forrada Um copo adiposo exposto Pessoas ao seu redor Para um trabalho de gosto. Ferem-lhe o ventre De suas entranhas extraído Um corpo inerte. Nomearam-lhe semente Tem vida sim senhor Função genética, afirma a ciência É ainda uma criança Ensina o professor, Em ambiente adequado Terá pleno desenvolvimento. Surgirão protuberâncias, Como adorno verdes folhinhas, Tratada com carinho Se tornará em breve Árvore frondosa, gigante Sob a sua copada Brincarão crianças Nas manhãs ensolaradas. Em meio ao crepúsculo Guardará em silêncio Segredos dos amantes. Bendita sua exuberância.

Magia do tempo

Neste momento grandioso A noite se faz dia Um ser superior Desfez a ordem primeira Como se o tempo Fosse feito de magia.

Adeus sombrio

Cada momento que passa Uma vida se perde Vida danada, amofinada Tantos conflitos Vultos que se cruzam Mundo pequeno Mãos que se apertam Num adeus sombrio. Vem recordações. Beijos do vento Olhares aflitos Palavras amargas Pedindo explicações Mente cansada Coração ferido Um grito de dor Um choro sufocado Foi tudo que restou O tempo não dá voltas Dá reviravoltas Incoerente Brincando com a gente Levando sonhos Trazendo esperanças. Em um sorriso bisonho De uma criança.

Uma cortesia

Pelas cordas mágicas do destino O imigrante surgiu. Entre festas do verde Cultuou o alvorecer Envolta e, raios festivos Na intimidade do seu ser. Lua a lua o povo crescia A chuva a levava O vento a trazia Na guerra do espaço No espaço da terra Mais forte se conduzia. Nas trilhas do café A terra se abriu em flor Aos olhos do mundo cresceu Seus filhos uníssonos Asseguram seu valor.

Boa leitura

Ler ditos, adágios E aforismos é cultura Provérbios também Registram boa leitura. 1) Dei-te um belo anel. Não me permitiu ser de ouro. De amor reluzia. 2) Cavalo dado não se olha idade. 3) Para realizar um trabalho difícil Uni-me ao meu irmão Vencemos os desafios. (a união faz a força) 4) O povo sorri Ao receber benefícios. Por dentro prisão. (Deus dá nozes, mas não às quebra) 5) Não basta só amar. Todo amor bem repartido Traz prazer maior. (amar é vontade de fazer o outro feliz) 6) A fé renovada Define bem seus valores. Abre seus caminhos. (quando Deus te fascinar serás feliz)

Rosa dourada

Lá fora, naquele chão Pisado, sofrido Sem vegetação Sem pássaros, sem gorjeios Tal um coração doído De angústias e receios. Cresceu uma rosa Linda, dourada Como se fosse uma semente De ouro ali plantada Ao sol ergue-se formosa De crepúsculo se veste De estrelas se cobre Baila as vibrações do vento Que adormece A faz despertar Com beijos e carícias No delírio de amar Vento estouvado Deixou a rosa caída Desfalecida Nunca mais a procurou Cavaleiro andante Das mil e muitas noites Busca em terras distantes Outras flores para amar. Por certo as encontrou. Por que não veio nascer Junto a mim Rosa dourada?! Temos algo em comum Um resto de vida E mais nada.

Maria da Conceição

Pra você o dia começa Não diferente do anterior Bem cedo se levanta Possui alma branca De ouro o coração. Peito nobre fluente O filho amamenta Curvada sobre o lenho Como devota em oração Atiça o fogo. Sobre a mesa oferecidos Biscoitos de polvilho Creme de maisena Coroado de canela. Rabanada de pão dormido O gostoso café com leite Tudo feito por ela A criançada se fartando. O feijão já está cozido A polenta pipocando. Em breve a turma gulosa Vem se aproximando. Previdente já realizou O cardápio para o jantar É sóbria nas palavras Não conta velhas histórias Não se prende em tradições. Ás vezes na sua intimidade Se arrasta em suspiros Sem lamentações. Esconde saudades ao remexer Uma caixinha an

Louca aventura

Preciso viajar. Louca aventura, Conhecer o mundo encantado Onde existe esplendor Dos pássaros multicores. Chão orvalhado Coberto de flores. Floresta espessa, escura Paz que acalenta Também amedronta. Conhecer os irmãos selvagens Livres, fortes, valentes. Seu canto, seu ritmo marcante Seu grito de guerra Mexem com os nervos da gente. Banhar o corpo nu (Virgem das matas) Nas águas da cachoeira Como um pássaro esvoaçante Em busca da companheira. Andar por muitos atalhos Caminhos desconhecidos Grutas, vales e serras. Descansar sobre um tapete De folhagem ressequida Embalada pelo sussurrar das aves Adormecer envolvida No mistério inexplicável Desta minha fantasia. Discernimento Dentro de nós, cer

Aposentadoria

“amando se aprende amando” Após muito trabalhar no magistério, Veio a aposentadoria. Tempo de descansar, mudança de vida também mudança de ares. Lendo meu amado Drummond: Muitos versos fui criando. Versos de pés quebrados fui insistindo, hoje é o meu enlevo diário. Jamais deixei as lembranças da minha terra natal. São valores recheados de muito amor e carinho.

Uma vida

Em plena vida rural Um canto cheio de glória. Fui construindo valores Começo de uma história. Muitas terras cultivadas Campos, morros verdejantes Uma canção à natureza Um cenário deslumbrante. Maio mês muito festivo Em Itaguaçu cidade vizinha Sinto muitas saudades Dos leilões e ladainhas No final do mês Uma festa programada Após solene procissão Nossa Senhora coroada. Tudo feito com respeito Louvando Nossa Senhora Algo se perdeu no tempo Igual não se faz agora.

Conceição da Barra

O canto do galo... Os pássaros em revoada! Manhãs gostosas Preguiçosas... Ali o mar. Expressão máxima de grandeza Banhar-me nesse mar É sentir irresistível emoção! Suas ondas vêm deitar Manhosamente Nos brancos areais da praia Brincam com os meus pés O corpo inteiro é tomado Carinhosamente. Contato mágico traz Algo estimulante ao corpo À alma da gente... Dei-te um aceno saudoso. Bela princesa da noite!

Exaltação

Guardada por serras goianas Entre rochedos escondida Num vale verdejante A pousada do Rio Quente Guarda segredos latentes Como virgem dama Às transparências do amante Parece adormecida Caprichosa natureza Abriga em seu seio A maior fonte do mundo Fonte de águas termais Que se despencam em meio A jardins, bosques naturais De exuberante belezas Águas cristalinas se deitam Para gozos solutas De banhos envolventes Contato mágico Como ópio suave Toma conta da gente.

Indecisão

São tantas as flores!... Todas muito belas! Rosas, margaridas Leves ao vento Sob acácias amarelas Aos meus olhos enamorados Castas noivas do tempo. No cenário verde do espaço Algumas atraentes Como a luz do amanhecer. Outras alvos extratos Em tardes outonais. Nem o esplendor da lua Ofusca o encanto das demais. Todas refletem com ternura A sensibilidade dos poetas Com exagero me tocam Com exagero me sufocam Diante da rosa Prisioneira me ponho Na ânsia secreta do amor A margarida é para mim Abrigo divino Dos meus sonhos.

Olhos verdes

Onde está você? Menina dos olhos verdes. Vai a minha menina Embalada em poesia Eu quero você Menina dos olhos verdes. Vai a minha menina Embalada em poesia. É toda graça, bem feminina Seu vestido rosa Esconde seu corpo Um segredo quem sabe? Um fato consumado. Menina dos olhos verdes De onde vem, pra onde vai Você foge indiferente Não importa com meus ais. No caminho dos meus sonhos Outra menina virá De olhos azuis, castanhos De vivo corpo por acariciar Sensual inteiramente Sem peso, sem força Minha alma acalentar.

O sertanejo

Chapéu de palha na cabeça Abraçado à sua viola O sertanejo canta. Canta o sol do sertão Que amadurece os frutos Resseca a terra Afogueia o coração. O sertanejo canta a noite Canta o luar do sertão Faz sua viola chorar. Eu também choro Na voz do seu cantar.

Um grande amigo

Há muito não nos víamos Motivos diversos. Distância, outros mais. A vida nos negou A expansão dessa amizade Hibernada dentro de nós Hoje você se foi Se é realidade Que todos partimos Um dia para a eternidade Aguarde-me Cumprirei meu destino.

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