top of page
3 de jun. de 2015

Casas grandes, gaiolas douradas

Negros serviçais

Ao gosto dos senhores

Discriminação racial

Nas senzalas frias viviam

Alimentados pelo fogo da revolta

Grande parte vivia

Buscavam a qualquer preço

A liberdade sonhada,

Fugas fracassadas

Sofrimento, dores

Aos grilhões de ferro tornavam.

Um dia lhes deram liberdade

Com garras da escravidão

Em nada valeram

O treze de maio

Festa efêmera do centenário

Terras e sonhos

Lhes foram negados.

3 de jun. de 2015

Sou um passageiro

Sem guia

Sem irmão

Nesta madrugada fria.

A luz suave

Da estrela matutina

Testemunha da minha solidão

Risca o firmamento

Com beijos primaveris

Despede-se em tempos

Da travessia

Linda do amanhecer.

A luz do sol

Na imensidão do espaço

Canta a criação

Sou um passageiro errante

Me entrego passivo

A cada flor despertada

A cada folha caída

A cada semente plantada

A paz que me devolve

Pássaros e ninhos.

3 de jun. de 2015

Joãozinho desce o morro

Diariamente,

Segue rumo certo

Pelas ruas da cidade

Diariamente,

Volta ao morro

Levando uns trocados

Ganhos honestamente.

Era véspera de Natal

Lojas enfeitadas

Brinquedos, não sabe a conta

Percebe deslumbrado

Ter um dia especial

Muita chuva o castiga

Roupa molhada

Joãozinho se abriga

No vão

De uma porta fechada

Ali passa a noite

Corpo cansado, friorento

Alcança o morro

Uma febre doida

Lhe roia por dentro

Sem ver realizado

Seu sonho de natal

Tantos outros sonhados

Joãozinho não resistiu

Sem apoio, sem cuidados

Vítima de Natal

De um sistema incoerente

De ajuda e proteção

À criança carente.

Envie seu email

Seus detalhes foram enviados com sucesso!

bottom of page